Manifesto

O poder do
storytelling


 

Era 12 de Janeiro de 1986, mais precisamente 6h15 da manhã, uma criança...

dormia em seu quarto com uma fresta da janela aberta. Alguns brinquedos pelo chão enquanto o dia ainda começava a clarear. Um ventilador que soprava hora os pés, hora a cabeça, fazia um leve ruído amenizando o calor de uma manhã de verão. Talvez aquela criança ainda não tinha consciência que já estava nas primeiras horas do seu sexto aniversário e o que estaria por acontecer.

Ouve-se alguns passos pela casa e a porta começa a se abrir lentamente. Ele já não estava mais sozinho no quarto, lá estava sua mãe, uma guerreira mulher de trinta anos de idade, mãe de quatro filhos que começava a entoar a tão esperada canção do dia: “Parabéns a você, nessa data querida...” Como todas as manhãs de doze de janeiro, a cena se repetia e era um momento de muita alegria e comemoração.

Mas, nesse ano de 1986, algo estava diferente... A alegria não era tão evidente, os olhos daquela mãe não brilhava como nos outros anos. Ela nem terminou de entoar a canção. A criança percebeu que havia algo de errado. Porém, antes que pudesse dizer uma palavra sequer, sua mãe disse com o semblante caído que conhecia o seu sonho, o seu grande sonho de criança, que era o de conhecer a neve. Disse que sempre o via paralisado em frente à TV assistindo filmes natalinos norte-americanos onde uma infinidade de neve caia do céu e, com muita empolgação, o ouvia perguntar se iriamos conhecer a neve um dia.

Com o peito apertado ao ouvir aquilo, sem poder prometer ao jovenzinho algo que suas condições não a permitiam fazer, decidiu dizer-lhe a verdade. Segurando uma lágrima, ela disse que eles não teriam condições de conhecer a neve naquele momento. Percebeu-se uma ênfase quando disse “naquele momento”, pois o que veio à seguir foi uma frase que mudaria todo o rumo dessa história. Como, talvez, seu maior presente de aniversário ela o fez prometer ali que, enquanto ele estivesse de pé, debaixo daquele céu, ele nunca deixaria de confiar em Deus e acreditar sempre em cada um dos seus sonhos, independente das circunstancias e dificuldades, pois só assim eles se tornariam reais um dia.

Uma manhã, que tinha tudo pra ser uma decepcionante manhã de aniversário, se tornou em uma manhã de esperança para aquela mãe que havia feito tudo o que poderia naquela situação.

Mais de vinte e sete anos se passaram e aquela criança, agora com trinta e três anos de idade, mais uma vez abraçava fortemente sua mãe. Uma lágrima fria escorria pela seu rosto, pois estava submetido à temperatura de -5°C no alto de uma montanha coberta de neve no Valle Nevado, Chile. Ele havia levado sua mãe e seus irmãos depois de todos esses anos para realizar o seu grande sonho de criança. Não menos emocionado que se estivesse em sua infância, ali lembraram chorosos que ele havia cumprido a promessa e que essa nunca havia caído em esquecimento. Quisera felizmente o destino que ela ainda estivesse com vida, para ali ouvi-lo dizer: “Eu sempre acreditei, mãe, obrigado! Você estava certa, eu sempre acreditei”. Não havia nenhum outro momento na vida de mãe e filho que pudesse ser mais importante que aquele... Ainda hoje esse filho continua acreditando, realizando e agradecendo pelo melhor aniversario da sua vida!

Uma história emocionante e real. Mas sabe por que você está lendo até agora? Porque somente uma história tem o poder de conectar pessoas a outras pessoas. Entenda o poder de uma Storytelling.

Para que o comportamento dos espectadores seja realmente influenciado pelo storytelling, primeiro é preciso conseguir que eles prestem atenção.
 

O PODER DO STORYTELLING

De acordo com o site forebrain.com.br ou Paul Zack, em seu artigo “Porque seu cérebro ama uma boa história.

Para que o comportamento dos espectadores seja realmente influenciado pelo storytelling, primeiro é preciso conseguir que eles prestem atenção, o que acontece com facilidade numa história de personagens reais ou mesmo que pareçam reais, com riqueza de detalhes, capazes de serem imaginados e assim gerar identificação com a audiência.

Se a história for capaz de criar a tensão necessária, então é provável que o espectador compartilhe das emoções vividas pelas personagens, tanto durante, quanto após a exibição do momento em que a história é contada. Isso explica aquela sensação de autoridade que você continua sentindo por um tempo, depois que o James Bond salva o mundo ou que uma mãe vê seu filho realizando um sonho vinte e sete anos depois.

Aplicando o storytelling no mundo corporativo

Os resultados das pesquisas de neurociência do strorytelling podem ser aplicados em diversas áreas do mundo dos negócios. Desde a maneira como um relatório é apresentado em uma reunião gerencial, até a forma como a empresa se comunica com seus clientes. Sempre com o objetivo de criar uma conexão mais forte com o espectador, o storytelling facilita a compreensão da mensagem que precisa ser transmitida e aumenta as chances de o conteúdo ser lembrado.

Quando você quiser motivar, persuadir e ser lembrado, comece com uma história, de uma pessoa real, que esteja tentando resolver um problema. Faça com que a audiência sinta empatia pela adversidade do personagem e, certamente, a solução dos problemas na história também trará sensações prazerosas ao espectador.


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